Funerária Nossa Senhora Aparecida - Seja Bem Vindo

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LUTO INVISÍVEL

ELAS SE SENTEM MÃES DE CRIANÇAS QUE NÃO NASCERAM. E SÃO JULGADAS POR ISSO *

4,2 milhões de mulheres no mundo lidam com o luto que elas consideram invisível para a sociedade, já que se uma mulher perde um filho crescido, ela não é vista como uma “ex-mãe”, porém o mesmo não vale para pessoas que perderam bebês ainda durante a gestação. “As pessoas não estão preparadas para isso e não sabem lidar com o assunto”, afirma a psicóloga obstetra Fátima Bortoletti da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Mesmo o óbito fetal sendo comum no Brasil – segundo especialistas, isso ocorre entre 15% e 20% das gestações, é comum o bebê que ainda está na barriga da mãe não ser visto com um ser humano, o que dificulta para pessoas fora do núcleo familiar entenderem o impacto dessa morte. A perda de um filho esperado, seja lá qual for o momento da gestação, tem o peso da perda de um parente próximo, com quem a mãe conviveu socialmente, e pode causar um sentimento de inadequação sobre a maternidade. Até porque, se o bebê era desejado, é consenso entre médicos que, psicologicamente, a mulher se torna mãe no momento em que o teste de gravidez dá positivo.

A ULTRASSONOGRAFIA

No lugar de batimentos cardíacos, silêncio O batimento cardíaco é a primeira forma de comunicação do casal com o bebê. Na sala de exame, eles recebem boas e más notícias. O organismo do feto não é o mesmo da mulher gestante, mas, por estar em seu ventre, ela o sente como parte de si. Perder esse elo antes de nove meses é como perder um fragmento do próprio corpo.

O PARTO

A mulher ainda está assimilando a morte do bebê, mas precisa decidir como fazer o parto. A barriga, antes um motivo de orgulho e felicidade, muda de forma, se torna um “problema” a ser resolvido. Algumas pacientes querem logo se livrar da situação, pedem uma cesárea. Outras ficam sem saber o que fazer, em choque. Assim como a ultrassonografia, os pais emudecem.

A DESPEDIDA

Quando um parente ou um grande amigo morre, nós fazemos um velório para nos despedirmos dele, isso nos ajuda a integrar essa morte à nossa vida. A perda gestacional é tida como invisível porque esses rituais não são feitos, inclusive há uma busca pela validação da vida do bebê e do casal como pais no âmbito judiciário. Atualmente, o natimorto é registrado sob o nome dos pais, mas eles querem que o nome completo do filho apareça no atestado de óbito. Desde 2013, o Estado de São Paulo é o único que permite atribuir um nome ao natimorto Há também a reivindicação por atestado de óbitos para fetos mortos antes das 22 semanas de gestação, se o Estado não reconhece aquele bebê como um ser humano, como as pessoas poderão tratar o luto dos pais da forma correta? Após um óbito fetal é comum os pais envolvidos evitarem o convívio com bebês e grávidas por meses. Ouvir um choro de bebê pode ser angustiante, o aspecto psicológico da perda gestacional, porém, não é levado em conta na maioria das maternidades brasileiras. Pacientes que perderam o bebê são colocadas em ambientes com famílias que estão com seus recém-nascidos. A recomendação psicológica é deixá-las isoladas, mas o protocolo as trata como alguém que teve um bebê. Ponto. Não importa se ele está vivo ou morto.

EM CASA

Enquanto uma casa que acabou de receber um bebê fica convulsionada com a chegada da criaturinha, a que acabou de ter uma perda gestacional é silenciosa, ninguém fala sobre. Todo mundo desvia os olhos, ninguém quer ouvir os pais que perderam o filho. As mulheres que passam por essa situação não se sentem acolhidas nem mesmo em grupos convencionais de apoio ao luto, o casal tem medo de ser julgado, pois estão sofrendo por “apenas” um feto. A melhor forma de consolar uma pessoa que teve uma perda gestacional é, segundo a psicóloga Liliana Seger, falar pouco e ouvir mais. Deixá-la quebrar este silêncio, deixá-la desabafar o quanto precisar.

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